quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Artaud

re-escrevo aqui trechos de O teatro e seu duplo de Antonin Artaud
acredito em paralelos enquanto pensamentos, coisas interessantes, utilizáveis?

O Teatro e a Peste
"Uma verdadeira peça de teatro perturba o repouso dos sentidos, libera o inconsciente comprimido, leva a uma espécie de revolta virtual e que aliás só pode assumir todo seu valor se permanecer virtual, impõe às coletividades reunidas à sua volta uma atitude heróica e difícil."

Teatro Oriental e Teatro Ocidental
"Compreende-se portanto que o teatro, na medida em que permanece encerrado em sua linguagem, onde entra em correlação consigo mesmo, deve romper com a atualidade, que seu objetivo não é resolver conflitos sociais ou psicológicos ou servir de campo de batalhas de paixões morais, mas expressar objetivamente verdades secretas, trazer à luz do dia através de gestos ativos essa parte de verdade oculta sob as formas em seus encontros com o Devenir".

"Todo verdadeiro sentimento é na verdade intraduzível. Expressá-lo é traí-lo. Mas traduzí-lo é dissimulá-lo. A expressão verdadeira oculta aquilo que manifesta. Opõe o espírito ao vazio real da natureza criando, por reação, uma espécie de plenitude no pensamento. Ou, se preferirem, em relação à manifestação-ilusão da natureza ela cria um vazio no pensamento. Todo sentimento poderoso provoca em nós a idéia do vazio. E a linguagem clara que impede esse vazio impede também que a poesia apareça no pensamento. É por isso que uma imagem. uma alegoria, uma figura que mascare o que gostaria de revelar tem mais significação para o espírito do que as clarezas proporcionadas pelas análises das palavras.
Assim, a verdadeira beleza nunca nos atinge diretamente. E é assim quem um pôr-do-sol é belo por tudo aquilo que nos faz perder."

É preciso acabar com as obras-primas
"As obras-primas do passado são boas para o passado; não servem para nós. Temos o direito de dizer o que foi dito e mesmo de dizer o que não foi dito de um modo nosso, imediato, direto e que não atenda aos modos do sentir atual e que todo mundo entenderá."

"Proponho assim um teatro no qual imagens físicas violentas trituram e hipnotizam a sensibilidade do espectador que se vê no teatro como presa de um turbilhão de forças superiores."

Todo Primeiro Manifesto da Crueldade contém elementos essenciais para esse teatro total que Artaud fala a todo momento, alguns um tanto estudados durante muito tempo no "atual teatro contemporâneo", outras formas inimagináveis, ficam somente nas imagens abstratas, mas a maior impressão é essa necessidade de quebrar fórmulas mortas, transformar. Gostaria de focar outros ponto interessantes como no momento onde fala que não existe movimento perdido, todo movimento obedece um ritmo. a metáfora da cobra também é fantástica, a cobra com o corpo inteiro no chão e com estímulo da música e sua vibração reage pelo corpo completo e levanta-se, transforma-se em decorrência dessa vibração, e é isso que deveria acontecer com o público. o texto falado, por exemplo, partindo da NECESSIDADE da fala e não a fala já formada.

são tantas coisas, e tão interessantes que poderia transcrever o livro inteiro aqui
ficam só algumas passagens para quem entrar nesse blog um dia

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