sexta-feira, 19 de outubro de 2007

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

um dia, quem sabe

tantas coisas perdidas nesses últimos tempo por não dado prioridade ao tempo não existente
cada apresentação do "processo" foi uma apresentação única
mas ele começou a morrer, quando ele fica estagnado em um gesto e uma ação
ele está morrendo e você não pode regurgitá-lo facilmente
você deve buscar mais fundo, podem achar que o que viram
se é que viram era algo trabalhado
mas ainda é superfície da superfície
tudo deve-se cavar mais fundo
chegar até um ponto que o gesto seja vida e morte
transformação viva
é muito fácil parar aí e somente desenhar e deixar estagnado
não é isso que fazemos
queremos mais
queremos viver mais
intensamente cada partícula da fumaça do cigarro
ela se masturba intensamente lubrificando-se com cerveja, apelativo
não... é ritual, triste ritual contemporâneo
ela canta mas não é de verdade
pura realidade teatral
mesmo quando nos martirizamos ficamos estigmatizados pela imagem clássica
a mais vista no mundo inteiro
cristo crucificado, markenting triste da religiosidade
outra necessidade básica humana? por isso nos batemos
insistimos em mastigar o pão nosso de cada dia
não importa a música, não importa a luz, não importa o cenário
o que importa é o que é vivo
se alguém conseguir colocar transpiração, expressão num plástico transparente
eu fico quieto
mas é tão difícil
não é isso que me importa
nos maquemaos porque queremos a beleza estereotipada caracterizada em nosso corpo
como chegar ao ápice disso, antes como chegar ao amago disso?
é a morte no fim, o cigarro final é o que deixará de ser... deixará de existir, será único
é efemero, como a morte mesmo, única e bela
cada toque é único, cada voz é única, cada gesto é único
tem a necessidade do pop aqui? não
tem necessidade de simplesmente "ser"
alguém ainda sabe o que é isso?
estou perguntando
alguém pode responder?
uma vida que nasce, uma vida que morre, uma música que acaba, um teatro que deixa de teatralizar
nesses 30 ou 20 minutos tudo deve estar entregue
deve-se sentir como se o mundo parasse e você visse sua vida inteira antes da morte
como time lapse do michael nyman
não existe saída
não existe volta
só o que você tem a sua volta
então pegue alguma coisa e vá até o fim com ela
mesmo com sacrifícios, mesmo com acasos e improvisos
só-mente vá

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

TEMPO É PRIORIDADE

SE expresse mais
Escreva mais.
é o que se faz num blog

Marina

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Artaud

re-escrevo aqui trechos de O teatro e seu duplo de Antonin Artaud
acredito em paralelos enquanto pensamentos, coisas interessantes, utilizáveis?

O Teatro e a Peste
"Uma verdadeira peça de teatro perturba o repouso dos sentidos, libera o inconsciente comprimido, leva a uma espécie de revolta virtual e que aliás só pode assumir todo seu valor se permanecer virtual, impõe às coletividades reunidas à sua volta uma atitude heróica e difícil."

Teatro Oriental e Teatro Ocidental
"Compreende-se portanto que o teatro, na medida em que permanece encerrado em sua linguagem, onde entra em correlação consigo mesmo, deve romper com a atualidade, que seu objetivo não é resolver conflitos sociais ou psicológicos ou servir de campo de batalhas de paixões morais, mas expressar objetivamente verdades secretas, trazer à luz do dia através de gestos ativos essa parte de verdade oculta sob as formas em seus encontros com o Devenir".

"Todo verdadeiro sentimento é na verdade intraduzível. Expressá-lo é traí-lo. Mas traduzí-lo é dissimulá-lo. A expressão verdadeira oculta aquilo que manifesta. Opõe o espírito ao vazio real da natureza criando, por reação, uma espécie de plenitude no pensamento. Ou, se preferirem, em relação à manifestação-ilusão da natureza ela cria um vazio no pensamento. Todo sentimento poderoso provoca em nós a idéia do vazio. E a linguagem clara que impede esse vazio impede também que a poesia apareça no pensamento. É por isso que uma imagem. uma alegoria, uma figura que mascare o que gostaria de revelar tem mais significação para o espírito do que as clarezas proporcionadas pelas análises das palavras.
Assim, a verdadeira beleza nunca nos atinge diretamente. E é assim quem um pôr-do-sol é belo por tudo aquilo que nos faz perder."

É preciso acabar com as obras-primas
"As obras-primas do passado são boas para o passado; não servem para nós. Temos o direito de dizer o que foi dito e mesmo de dizer o que não foi dito de um modo nosso, imediato, direto e que não atenda aos modos do sentir atual e que todo mundo entenderá."

"Proponho assim um teatro no qual imagens físicas violentas trituram e hipnotizam a sensibilidade do espectador que se vê no teatro como presa de um turbilhão de forças superiores."

Todo Primeiro Manifesto da Crueldade contém elementos essenciais para esse teatro total que Artaud fala a todo momento, alguns um tanto estudados durante muito tempo no "atual teatro contemporâneo", outras formas inimagináveis, ficam somente nas imagens abstratas, mas a maior impressão é essa necessidade de quebrar fórmulas mortas, transformar. Gostaria de focar outros ponto interessantes como no momento onde fala que não existe movimento perdido, todo movimento obedece um ritmo. a metáfora da cobra também é fantástica, a cobra com o corpo inteiro no chão e com estímulo da música e sua vibração reage pelo corpo completo e levanta-se, transforma-se em decorrência dessa vibração, e é isso que deveria acontecer com o público. o texto falado, por exemplo, partindo da NECESSIDADE da fala e não a fala já formada.

são tantas coisas, e tão interessantes que poderia transcrever o livro inteiro aqui
ficam só algumas passagens para quem entrar nesse blog um dia

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Des- obesessão pela morte Fascinação pela vida



Porque o perfume das rosas iram derramar-me com fulgor quando deitada eu estiver em sonho eterno, mas ainda quente. que rosas só amarei nesse lugar algure nesse instante...
Pois privada fui de rosas nessa vida
que elas se façam nesse fin despetaladas e mortas como eu, porém mais mortas

que estejam aqui
Pois privada fui de rosas durante a vida
..mas as amei


Engraçar-se-ão de saber que amor e privação são coisas de mesma frase-tempo-espaço

defunta e quente

Que o frio é externo. Nem esticada e morna.
Apenas em antenas...qQ ~q ..uentes,
úmida vapores de olor flutuante esfumata em ONDAS MAR- ritmas...pro céu de luz-ÁGUA (graças) que me espera...divinas entidades de a. MAR. res

Fecho os olhos e vou.
A. mém


se


Aqua- Mar.rima

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

morri virando os olhos

que descanso de viagem.


Fui eletrocutada,
e depois/ de tudo isso/ queriam que estivesse feliz terapeuticamente: em verde grama de brisa fresca(?) é só um exercício (!) (?)
"tem sorte de não saber a verdade".

morrer não é perder, perder(-se) é a própria vida.

"Amá-la (a vida) e depois deixá-la querido leonard"- Virgínia Woolf
Optar pela morte porque já viveu e não quer esperá-la é tornar-se dono da própria vida. é um ato ativo, não necessariamente de desistir ..para Virginia
Quando a vida ainda supostamente existe mas já estamos mortos deixamos a morte..matando-nos e optamos pelo fim da morte ao invés da não-vida

e Sarah Kane?

"Não desejo morrer, não é isso que deseja um suícida"
Desejaria ter vivido verdadeiramente... ?/!
Eu não deixaria minha vida como deixa o tédio do deserto o poente caminheiro, como as horas de um triste pesadelo
meu passamento não seria triste
triste é às vezes viver, a tristeza vive na vida e não na morte nessa ela repousa, tudo repousa..
( continua latente?isso seria mais vivo ainda?)
tristeza... e depressão é ódio.. ter que enfrentar o lodo frio negro e fétido no qual as lamentações não ativas se escondem...

se existe uma ação ( mapa) é esfregar

esfreguem sua vida na minha mas não rocem muito.
esfregar é produzir seiva, esquentar ebulir-se
quase morri queimada sem ter o que fazer...já foi não consegui...( morrer)
me tiraram e foi ótimo não tinha o que escolher

8 minutos de vida nada mais ( demorei mais tempo escrevendo isso aqui)

8 minutos apenas para usar os sentidos e em sua amplitude ver, cheirar, sentir, tocar
respirar devéras

DEVÉRAS

nada a dizer...já disse o que amei o quanto amei e vivi
..irreparavelmente..

e nisso encontro na linha do meu pensar esse fio aqui:

acender o cigarro ou passar a mão pelos cabelos não é apenas perigoso é opurtunidade e RISCO crise única momento esticado e presente em ação e pensamento/sentimento irrepetível
inalterável FATAL

por isso jogar-se e ainda manter os pés é a entrega
não é o sentir que faz o coração, o pensar que faz o cerébro o fazer que faz o corpo, é tudo isso ao mesmo tempo e em seu avesso: meu coração sente, minha mente pensa meu corpo faz
meu coração sente pensa e faz
minha mente pensa sente e faz
meu corpo pensa sente e faz
em todas as ordens
se é dor ou angústia prazer satisfação sofrimento... é só reflexo
As coisas são e isso é iderrubável ( ?) , isso apenas é


explodi-me gigante e alva lilás rosa translucida, mistura branca do sol..
sai clarinha como lucrécia..
no final aproveitei todos os abraços ainda mais...
OLHO NOS OLHOS
PRO RESTO
FECHO-OS


ALCANCEI A MORTE VIVA, E BRINQUEI COM ELA, DEI-LHE UM BEIJO LEVE NOS LÁBIOS...


saibam...eles são mornos pro quente





Marina Vecchione Ungaro

Lucrécia


A luz era branca como o sol num dia nublado só que podia-se sentir uma cor meio violeta meio rosa também e percorreu seu corpo inteiro


em seguida os choques cada vez com mais alta voltagem


lembrete: tomar cuidado com esse exercício se você não quer se machucar...


depois as imagens, a planícia, a caverna, a cidade, o carro queimando e os últimos minutos de vida


é como uma regressão, regredir ao estado interno mais profundo do seu ser, perder-se para depois encontrar-se - não tenho pressa, apesar de todas as teorias a serem feitas, criadas num palco - o palco-vida, o palco cotidiano nosso de arroz e feijão, como é "Psicose 4h48" ? Estamos no Brasil, terra do samba, terra da malandragem, terra de ninguém...

No Brasil, 4,9 pessoas a cada 100.000 morrem por suicídio, uma das menores médias do mundo, sendo Porto Alegre a capital do suicídio no Brasil.


Suicídio (do latim sui caedere), termo criado por Desfontaines, matar-se, é um ato que consiste em pôr fim intencionalmente à própria vida.


Há uma frase célebre sobre o tema do filósofo Albert Camus: "O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder à uma pergunta fundamental da filosofia"


tirado da Wikipedia

acima:
A Morte de Lucrécia
TROY, Jean François de

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

aterramento

não espere aqui relatórios extensos sobre o processo e sim um pensamento posterior sobre como as coisas se passam,

no último ensaio trabalhei com a chamada "leitura branca" e um exercício de grounding, ou aterramento, fazendo a atriz buscar o prazer no movimento e algumas palavras chave que coloquei em ligação com o trabalho...

por quê alguém escreveria isso? por que alguém escreveria psicose 4h48?
aliviava? precisava ser dito? precisava ser vomitado?
como a marina disse - todo espaço em branco no texto tem um sentido?
não queria dizer somente um sentido racional

por que fazer isso? por que fazer essa encenação de curtos 15 minutos?
onde pretendo chegar? o que pretendo falar?
tudo o que a sarah kane falou, gritar em alto e bom som
mas também é uma provação para com o Teatro
pra quê serve o teatro? o teatro que tanto fazemos e tanto adoramos? pra quê?

encontrar novos caminhos, caminhos a muito tempo não percorridos
como dizer que um corpo pode falar tudo sem ser necessária a dança propriamente dita
encontrei saídas fáceis, Grotowski está aí, ele encontrou também, a dança ritual
é isso que quero?
não
eu quero que o ato de acender um cigarro seja único e assustador
eu quero que a ação de abrir os olhos e olhar para o céu seja a única forma consoladora de procurar algo

depois falo mais

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

re-re-começo

Agora com uma nova e última substituição a atriz Marina Ungaro substitui o ator Rodrigo Márquez por motivos de forças maiores (eu nunca entendu - "forças maiores").

Fez-se uma leitura e um primeiro ensaio similar aos dois primeiro com o Rodrigo, a energia da Marina é diferente, é mais agressiva, ela não fica de cabeça abaixada, ela enfrenta mas ao mesmo tempo ela é vulnerável, percebe-se pela identificação com a Sarah Kane.

O que complica agora é o fato de o tempo estar acabando, eu preciso de um texto cortado para ser analisado e para fazer o mapa de ações, algumas idéias vão por água abaixo por isso pedi a atriz que trouxesse momentos do texto que gosta, assim como eu faço com o meu, pedi também verbos que possam estar de encontro ao texto Sarah Kane.

É um processo que pelo visto pode ser muito rico, ela traz textos, performances, idéias que não as minhas mas que se encaixam, uma outra coisa boa é que ela precisa que eu seja mais claro, eu sou péssimo para falar, explicar, com ela tenho uma necessidade de síntese, de objetivo ao falar - é um desafio, e o que mais gosto é a idéia de desafio.

pedi também uma espécie de ritual, dei um cigarro específico para a Marina, deixa de ser "um" e passa a ser "o" cigarro, ela deve carregar esse cigarro na sua caixinha de Gardenal por todos os lados, é como se fosse o melhor amigo dela, um pai, uma mãe, deve ter um extremo cuidado, levá-lo para o banheiro, para as aulas, e sempre confirmar se ele está bem, é como se fosse o ar, ela não consegue respirar sem ele. em um mês ela tem que estar tão viciada nele de forma que se perdê-lo ela pode morrer. O que cria um conflito, ela vai fumá-lo na apresentação?

depois escrevo mais

terça-feira, 31 de julho de 2007

eu vou enlouquecer...

Talvez, provavelmente mais uma substituição e tudo fica cada vez mais perto
e vamos recomeçar do zero novamente
merda, zero novamente
pode ser bom, pode ser ruim
vai saber.

no último ensaio
uma semi-breve regressão e vários choques elétricos misturados a lembranças emocionais
eu sei onde tocar e sabia que faria mal e sabia que romperiam lágrimas
mas nada é lido, tudo é quase contado
tinha tanta vontade de cavar mais profundamente,
eu não estou feliz com mais nada
que raiva

o que era pra começar em maio era pra começar em junho e começou em julho e re-começa em agosto
daqui a pouco é a primeira leitura e não quero escolher o texto
maldito texto
merda
o texto pode ser maldito
ou posso fazer o marketing do Lars von Trier, ninguém consegue trabalhar mais comigo
um monte de trabalhos não terminados

o que sarah kane queria? ela queria alguma coisa? com esse monte de depressões e palavras belamente escolhidas, claro que existe um quê de impacto, mas é tão bom, luz opaca, merda, será que sim? será que não? deuses do teatro me ajudem, Artaud, Dionisio, qualquer um, todos vocês, já estou pedindo ajuda a deuses num blog isso é provavelmente a coisa mais ridícula que já fiz, eu vou ter um filho, eu vi o ultrasom do meu filho, esse trabalho mexe mais comigo do que com meus quase atores....AAAAAAHHHH...é fácil gritar, ninguém lê mesmo, ninguém comenta nada, foda-se, maldita idéia de diário de bordo, eu não vou conseguir fazer isso, eu sempre começo os exercícios comigo mesmo, sozinho, é um horror, alguém falar no seu ouvido que está vendo fotos horríveis, dos piores momentos da sua vida, é horrível essa pessoa tocar em você, quando não quer ser tocado, violentamente, e depois falar que está tudo bem

voltando ao assunto principal, pensamentos da primeira leitura, eu quero uma bela leitura encenada, uma espetáculo de leitura, o texto tem que estar muito bem cavado no ator ou na atriz em três semanas, e quando digo cavado profundamenteela deve mergulhar nela mesma de tal forma que tenha total domínio pra expor-se pra todo o mundo física e mentalmente, a leitura tem que ser tão forte quanto a encenação

raiva

é só isso que posso dizer

um eletro-choque no cérebro

boa noite e boa sorte

quarta-feira, 25 de julho de 2007

curiosidades...

dysphoria: em psicologia (disforia) - medo, depressão, falta de sossego

RSVP ASAP

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

RSVP é a abreviação de Répondez S'il Vous Plaît, uma expressão francesa, que traduzida para o português significa "Responda, por favor". Abreviação muito utilizada em convites de grandes eventos para a confirmação da presença dos convidados para um melhor planejamento.
Este código, adicionado ao fim de convites, significa que o anfitrião está a requerer ao convidado uma resposta ao convite ou seja, deseja saber se o convidado vai comparecer ao evento. O convidado deve assim responder o mais rápido possível, dentro de um dia ou dois depois de receber o convite.

ASAP (as soon as possible) abreviação de no mais rápido possível, o mais rápido que eu puder

A primeira aula

são rabiscos do meu caderno, não estão bem escritos...

Temos nossos colegas: Inácio com "O Arquiteto e o Imperador da Assíria" de Arrabal e Bruna com "Cena Quatro" do Ionesco.
Uma aula fechada para os encenadores poéticos (absurdos)
algumas anotações:
Se Brecht puxou muitas coisas do épico para o dramático, pensando em Aristóteles, os autores poéticos puxaram do chamado estilo lírico, antes alguns existencialistas como Sartre estavam encontrando uma nova forma: "Entre Quatro Paredes", onde o espaço é poético mas a estrutura é realista.
algumas características: Existe uma unidade própria no teatro poético, não fragmentada como no épico, mas às vezes até cíclica ("Esperando Godot"), existe um universo próprio, metafórico, eles criam uma metáfora coerente, buscam uma unidade metafórica

METÁFORA, segundo o dicionário Larousse: s.f. (gr metaphora, de metaphero, eu transporto). Figura de linguagem que consiste em transpor o significado de um termo para outro em virtude de uma analogia ou de uma comparação subentendida.

1 - a maioria das peças poéticas tem uma metáfora GERAL, total.
2 - algumas tem ligações com as vanguardas do ínício do século XX, o surrealismo por exemplo com o sonho e o subconsciente.
3 - existe o jogo da ambiguidade - buscando uma leitura mais aberta (tanto da parte do encenador como do leitor / espectador).
4 - jogo do inesperado, imprevisível (diferente do estranhamento de Brecht).
5 - uma renovação de linguagem.

Isso tudo pensando numa dramaturgia poética. Para a encenação...

- o encenador transforma-se quase num autor, numa análise de texto poético o encenador deve desdobrar as metáforas do texto e depois numa explicação de concepção de encenação deve posicionar as metáforas particulares, podendo seguir as idéias do dramaturgo ou colocar a sua como foco.

- num mapa de ações as ações, conflitos e objetivos são mantidos mas não deve buscar uma precisão realista (se um personagem quer voar essa é a ação dele - querer voar).

fico pensando no texto de Sarah Kane, onde a(s) personagem(ns) é(são) indefinida(s), o tempo é indefinido e o espaço é indefinido - a criação será a partir da minha concepção, eu não quero criar isso a partir somente das minhas idéias mas também saber o que nascerá do ator em seu processo, o que causa problemas afinal estou atrasado, minha vontade de começar no mês de junho transformou-se em três ensaios até o presente momento (final de julho) o que requer puxadas de orelha e mais ensaios por semana, mesmo sendo de madrugada. outra visão particular é que o foco está sendo dirigido para o trabalho do ator e não de encenação, onde e como deve juntar essas duas concepções, num ponto do trabalho onde busco mais Artaud e Grotowski, em suas técnicas e exercícios, no caso do primeiro de suas pirações...

enfim, onde quero chegar e por quê?

quinta-feira, 12 de julho de 2007

12/07 - 2007 - sensações

Um ensaio de sensações não pode ficar somente nas sensações, deve penetrar mais fundo, deve causar reações físicas e emocionais, mesmo tocando em assuntos pessoais corre-se o risto de ser superficial, para se mergulhar mais fundo deve-se acreditar naquilo que está fazendo, digo como elemento ativo do exercício.

Venda-se um ator numa cadeira, enche sua boca de açúcar, sal, café, água, orégano, colocar música alta, gritar no seu ouvido, jogar água gelada no corpo, abrir suas calças e quase cortar seu sexo com um estilete e idem para outras regiões do corpo, colocar gelo dentro da roupa, levar aromas, cheiro de comida, flores, cigarros - dar a sugestão de queimá-lo...

tocar em assuntos realmente pessoais, fazê-lo sofrer com isso, sentir raiva ou ficar com medo...

de nada adianta tudo isso se você não se entregar também, além dele

depois tivemos uma conversa, sobre o não conseguir entrar numa personagem, quando eu não quero esse pensamento cartesiano de criar-se uma personagem através de estudos, exercícios e leituras do texto, não, eu quero ele, Rodrigo Márquez agindo e reagindo diante do texto, das suas sensações, dos seus estados e daí criando algo para o trabalho

volto a falar disso mais tarde

terça-feira, 10 de julho de 2007

10/07-2007 - um primeiro dia

um encontro com os quatro primeiros momentos

1) um futuro fragmento diálogo com talvez um médico imaginário
- o que é que você dá aos seus amigos que faz com que eles te apóiem tanto?

2) devaneio de vozes
- lembre da luz e acredite na luz

3) ode a angústia e ao suicídio
- sinto que o futuro é desesperançoso e que as coisas não podem melhorar
- isso está se tornando minha rotina

4) números - vidas
- 100, 91, 84, 81...

eu queria que ele relaxasse, eu queria que ele se limpasse de toda sujeira no seu corpo e sua alma, eu queria que ele começasse a ter noção do corpo e do estado, eu queria que ele conseguisse a disciplina e a espontaneidade nascendo em seu corpo...

é só um começo, ele não ultrapassou seus 10%

e de um conforto pleno e relaxado ele foi para um extase de fadiga sem controle

voltamos ao texto narrado

e então ele teria que alcançar os céus
quase...

em seguida sua escrita sem pensamentos, sem paradas, livre e solta:

"A morte e a vida começam juntas, mas a morte vive mais porque acaba depois
Viver é sempre e nunca é nada e tudo é sempre pra que mais nada nunca morra e viva morrendo vivendo querendo morrer melhor viver morrer vivendo e viver feliz saber amar antes de drogar a última lágrima de dor antes de qualquer estupor antes de um..."
Rodrigo Márquez

Eu quero uma ação nova, um gesto limpo de qualquer estereótipo, limpo de qualquer signo de fácil acesso, encontrar o que seja mais interior e mais inteiro possível em um movimento...

difícil

quarta-feira, 4 de julho de 2007

nota:

Por problemas de gravidade não esperada: a atriz Nayra Lobo está sendo substituída pelo ator Rodrigo Marquez


ps. http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2440,1.shl , segue entrevista com o diretor Claude Régy que trouxe o espetáculo 4h48 com Isabelle Huppert para São Paulo em 2003

domingo, 27 de maio de 2007

mais uma das minhas dissertações perdidas em cadernos

Busco em Artaud e Grotowski o que quero ver como espectador / diretor, o que busco como ator - o pulsar, o ritmo e o movimento de Shiva, o ioga, o tai chi chuan, ayahuasca, o que quer que seja (sempre lembrando: você não "sente" o estado, você não o representa, você "é").

Devo buscar o ritual? a dança ritual? os duplos do louco francês? sua peste?

Como disse em algum caderno por aí, a experiência de parar num boteco em plena madrugada e observar as pessoas (o espectador?) em estados deploráveis fez-me pensar, elas não se importam com meu "centauro violento" e, coloque-se na cabeça delas, provavelmente impossível interessar-se por isso.

Então não se trata de apontar caminhos interessantes e novos no teatro, e sim, limpar suas mentes do lixo novelístico que paira em toda atmosfera (soa fascista isso) - está certo Zé Celso, dando banho no seu público, pena que seja seu público e não o público.

Grotowski procura a dialética da disciplina e espontaneidade, a "naturalidade ou organicidade" através de exercícios-desafio, em certo ponto faz re-pensar no meu modo de conduzir um processo, ou mesmo de outros, posso dizer que são processos mortos?

Pensando em Psicose, não tenho a pretensão de repetir energéticos à exaustão, é utilizado infinitamente por vários encenadores e vemos espetáculos e atuações "boas" - nem mais, nem menos do que isso. Devo iniciar desde já uma pesquisa sobre os signos intrínsicos do ser humano? do teatro? e através destes signos estudar expressões diferentes, diferentes tempos, ritmos, tonalidades, etc?

Fique desde já entendido que não quero inventar nada eu só quero fazer algo que realmente seja transformador - talvez como a peste

mas eu sou uma pessoa pretensiosa

carta eletrônica enviada ao professor José Manuel

De: Luis Paulo de Almeida Maeda paulomaeda1@hotmail.com
Enviado: terça-feira, 1 de maio de 2007 14:36:14
Para: (não sei se posso divulgar)@yahoo.com.br
Assunto: sobre psicose

Professor, é o Luis do 4ºEAC,
fiquei lendo e re-lendo o texto da Sarah Kane sem parar ontem e fiz alguns comentários
gostaria de te passar um pouco minhas angústias para que me ajude um pouco

Como analisar um texto de forma "clássica", onde tudo é abstrato, subjetivo? Não existe um onde (teria, talvez, mas eu destruiria a idéia de fragmentos), colocando planos - o plano-a beira da morte, o plano-hospital/médico(s), plano-vida; é uma mistura de fragmentos - não existe um personagem específico senão elementos da própria autora, é poético, é prosa, poesia, diálogo, desenho, enigmas...
Não existe tempo, são 4h48, é limitante (uma desculpa) colocar como um último suspiro antes da morte? não caímos no clichê? "tudo se passa na cabeça dela!"? não sei se quero uma "valsa nº6".
Quando leio um texto contemporâneo como esse percebo que ele tenta se libertar de qualquer análise específica, nas mãos de um encenador ele analisa essas metáforas de um texto poético e coloca sua visão subjetiva em cima disso - mesmo a questão das metáforas, em certos trechos podem deixar de lado a idéia de metáfora.
4h48 é, por pesquisa, o horário no qual as pessoas mais se matam - temos um dado claro - o tema é suicídio (posso colocar desde já minha metáfora: a vida é suicida por si só)
O texto é dividido em 24 momentos, que às vezes são ligados, às vezes se justapõe, um palimpsesto dramatúrgico, analiso cada um desses momento explicitanto a metáfora? mesmo a interpretação de metáforas já nasce pré-concebida.

Suicídio, amor, angústia, depressão, médicos, remédios, auto-indulgência, esquizofrenia...
Penso em exercícios que busquem alguns desses estados, essas sensações, dessas sinestesias nascem as ações criadas pela atriz e depois trabalhadas, mas não como Meyerhold - dá ação mecânica nasce o signo, a representação, mas que do alto estado interno cause uma reação muscular, corporal, livre.
Cegueira temporária, desequilíbrio corporal, perda do controle dos sentidos...
primeiro criando um mapa de estados, daí com as reações da atriz um mapa de ações e com o texto, qual estado o texto traz? qual a profundida isso pode alcançar?

desculpe mandar minhas dores de cabeça, tenho minhas dores de cabeça em certos momentos durante a aula querendo descobrir o verbo-chave, a ação específica, mas em momento como Shakespeare, é tenho pensamento que é muito difícil criar Shakespeare sem o texto, aquele texto me dá liberdade para encontrar as ações, está lá - lembro de um grande amigo, mestre e ator da velha geração comentando sobre um certo dia em que encenava o mercador de veneza em paris e fazia Shylock e num instante ele parou e pensou: "o que estou fazendo? para quê tantas coisas? é um texto e esse texto só é necessário que ele seja dito, está tudo aí" ele teve um "crise" e só voltou a fazer teatro agora; eu posso falar que brinquei como Iago, mas não que fiz Shakespeare, é uma conversa enorme e dificílima, acredito que tenho muitas coisas a aprender, principalmente contigo, eu adoro a experiência de trabalhar com encenadores diferentes, mas como podemos encontrar uma mistura, onde eu possa utilizar os teus elementos sem deixar de lado os meus elementos, que estou criando agora como encenador, trabalho que estou engatinhando ainda mas que quero começar a criar meu próprio estilo de direção, não só o que aprendi com "mestres" anteriores...

desde já
obrigado

Paulo Maeda

Um / O começo

A necessidade de escrever sobre as novas velhas experiências em busca de dados mais palpáveis no mundo atual globalizado. O que escrevo aqui poderia ser como uma grande privada onde jogamos todas as porcarias fora mas também penso como um baú onde podemos guardar todas nossas quinquilharias.
Percebam desde já que não respeito regras gramaticais e também não pretendo ganhar o prêmio de melhor escritor teórico do ano, por vezes notarão falas muito próximas ou termos repetidos, acostumem-se.
Falo para uma platéia invisível pois não sei se isso seria de interesse para alguém além da minha própria pessoa, a idéia inicial é que fossem criados dois diários de bordo: o da atriz e a versão do diretor, sem cortes; mas prefiro tudo misturado, uma grande aglutinação ou justaposição de idéias.
Existe uma disciplina no curso da Unesp de Educação Artística - Habilitação em Artes Cênicas chamada Encenação, ministrada pelo professor José Manuel onde foram divididas cinco etapas (didáticas): clássico, drama, épico, poético ou absurdo e criação coletiva.
Escolhi a quarta etapa com o texto de Sarah Kane: Psicose 4h48 (redundante).
Não me apresentei: Paulo Maeda e trabalho com uma única atriz: Nayra Lobo
Eu só pretendia fazer essa introdução...básica...ruim...
enfim
evoé
e
merda
lp