Busco em Artaud e Grotowski o que quero ver como espectador / diretor, o que busco como ator - o pulsar, o ritmo e o movimento de Shiva, o ioga, o tai chi chuan, ayahuasca, o que quer que seja (sempre lembrando: você não "sente" o estado, você não o representa, você "é").
Devo buscar o ritual? a dança ritual? os duplos do louco francês? sua peste?
Como disse em algum caderno por aí, a experiência de parar num boteco em plena madrugada e observar as pessoas (o espectador?) em estados deploráveis fez-me pensar, elas não se importam com meu "centauro violento" e, coloque-se na cabeça delas, provavelmente impossível interessar-se por isso.
Então não se trata de apontar caminhos interessantes e novos no teatro, e sim, limpar suas mentes do lixo novelístico que paira em toda atmosfera (soa fascista isso) - está certo Zé Celso, dando banho no seu público, pena que seja seu público e não o público.
Grotowski procura a dialética da disciplina e espontaneidade, a "naturalidade ou organicidade" através de exercícios-desafio, em certo ponto faz re-pensar no meu modo de conduzir um processo, ou mesmo de outros, posso dizer que são processos mortos?
Pensando em Psicose, não tenho a pretensão de repetir energéticos à exaustão, é utilizado infinitamente por vários encenadores e vemos espetáculos e atuações "boas" - nem mais, nem menos do que isso. Devo iniciar desde já uma pesquisa sobre os signos intrínsicos do ser humano? do teatro? e através destes signos estudar expressões diferentes, diferentes tempos, ritmos, tonalidades, etc?
Fique desde já entendido que não quero inventar nada eu só quero fazer algo que realmente seja transformador - talvez como a peste
mas eu sou uma pessoa pretensiosa
domingo, 27 de maio de 2007
carta eletrônica enviada ao professor José Manuel
De: Luis Paulo de Almeida Maeda paulomaeda1@hotmail.com
Enviado: terça-feira, 1 de maio de 2007 14:36:14
Para: (não sei se posso divulgar)@yahoo.com.br
Assunto: sobre psicose
Professor, é o Luis do 4ºEAC,
fiquei lendo e re-lendo o texto da Sarah Kane sem parar ontem e fiz alguns comentários
gostaria de te passar um pouco minhas angústias para que me ajude um pouco
Como analisar um texto de forma "clássica", onde tudo é abstrato, subjetivo? Não existe um onde (teria, talvez, mas eu destruiria a idéia de fragmentos), colocando planos - o plano-a beira da morte, o plano-hospital/médico(s), plano-vida; é uma mistura de fragmentos - não existe um personagem específico senão elementos da própria autora, é poético, é prosa, poesia, diálogo, desenho, enigmas...
Não existe tempo, são 4h48, é limitante (uma desculpa) colocar como um último suspiro antes da morte? não caímos no clichê? "tudo se passa na cabeça dela!"? não sei se quero uma "valsa nº6".
Quando leio um texto contemporâneo como esse percebo que ele tenta se libertar de qualquer análise específica, nas mãos de um encenador ele analisa essas metáforas de um texto poético e coloca sua visão subjetiva em cima disso - mesmo a questão das metáforas, em certos trechos podem deixar de lado a idéia de metáfora.
4h48 é, por pesquisa, o horário no qual as pessoas mais se matam - temos um dado claro - o tema é suicídio (posso colocar desde já minha metáfora: a vida é suicida por si só)
O texto é dividido em 24 momentos, que às vezes são ligados, às vezes se justapõe, um palimpsesto dramatúrgico, analiso cada um desses momento explicitanto a metáfora? mesmo a interpretação de metáforas já nasce pré-concebida.
Suicídio, amor, angústia, depressão, médicos, remédios, auto-indulgência, esquizofrenia...
Penso em exercícios que busquem alguns desses estados, essas sensações, dessas sinestesias nascem as ações criadas pela atriz e depois trabalhadas, mas não como Meyerhold - dá ação mecânica nasce o signo, a representação, mas que do alto estado interno cause uma reação muscular, corporal, livre.
Cegueira temporária, desequilíbrio corporal, perda do controle dos sentidos...
primeiro criando um mapa de estados, daí com as reações da atriz um mapa de ações e com o texto, qual estado o texto traz? qual a profundida isso pode alcançar?
desculpe mandar minhas dores de cabeça, tenho minhas dores de cabeça em certos momentos durante a aula querendo descobrir o verbo-chave, a ação específica, mas em momento como Shakespeare, é tenho pensamento que é muito difícil criar Shakespeare sem o texto, aquele texto me dá liberdade para encontrar as ações, está lá - lembro de um grande amigo, mestre e ator da velha geração comentando sobre um certo dia em que encenava o mercador de veneza em paris e fazia Shylock e num instante ele parou e pensou: "o que estou fazendo? para quê tantas coisas? é um texto e esse texto só é necessário que ele seja dito, está tudo aí" ele teve um "crise" e só voltou a fazer teatro agora; eu posso falar que brinquei como Iago, mas não que fiz Shakespeare, é uma conversa enorme e dificílima, acredito que tenho muitas coisas a aprender, principalmente contigo, eu adoro a experiência de trabalhar com encenadores diferentes, mas como podemos encontrar uma mistura, onde eu possa utilizar os teus elementos sem deixar de lado os meus elementos, que estou criando agora como encenador, trabalho que estou engatinhando ainda mas que quero começar a criar meu próprio estilo de direção, não só o que aprendi com "mestres" anteriores...
desde já
obrigado
Paulo Maeda
Enviado: terça-feira, 1 de maio de 2007 14:36:14
Para: (não sei se posso divulgar)@yahoo.com.br
Assunto: sobre psicose
Professor, é o Luis do 4ºEAC,
fiquei lendo e re-lendo o texto da Sarah Kane sem parar ontem e fiz alguns comentários
gostaria de te passar um pouco minhas angústias para que me ajude um pouco
Como analisar um texto de forma "clássica", onde tudo é abstrato, subjetivo? Não existe um onde (teria, talvez, mas eu destruiria a idéia de fragmentos), colocando planos - o plano-a beira da morte, o plano-hospital/médico(s), plano-vida; é uma mistura de fragmentos - não existe um personagem específico senão elementos da própria autora, é poético, é prosa, poesia, diálogo, desenho, enigmas...
Não existe tempo, são 4h48, é limitante (uma desculpa) colocar como um último suspiro antes da morte? não caímos no clichê? "tudo se passa na cabeça dela!"? não sei se quero uma "valsa nº6".
Quando leio um texto contemporâneo como esse percebo que ele tenta se libertar de qualquer análise específica, nas mãos de um encenador ele analisa essas metáforas de um texto poético e coloca sua visão subjetiva em cima disso - mesmo a questão das metáforas, em certos trechos podem deixar de lado a idéia de metáfora.
4h48 é, por pesquisa, o horário no qual as pessoas mais se matam - temos um dado claro - o tema é suicídio (posso colocar desde já minha metáfora: a vida é suicida por si só)
O texto é dividido em 24 momentos, que às vezes são ligados, às vezes se justapõe, um palimpsesto dramatúrgico, analiso cada um desses momento explicitanto a metáfora? mesmo a interpretação de metáforas já nasce pré-concebida.
Suicídio, amor, angústia, depressão, médicos, remédios, auto-indulgência, esquizofrenia...
Penso em exercícios que busquem alguns desses estados, essas sensações, dessas sinestesias nascem as ações criadas pela atriz e depois trabalhadas, mas não como Meyerhold - dá ação mecânica nasce o signo, a representação, mas que do alto estado interno cause uma reação muscular, corporal, livre.
Cegueira temporária, desequilíbrio corporal, perda do controle dos sentidos...
primeiro criando um mapa de estados, daí com as reações da atriz um mapa de ações e com o texto, qual estado o texto traz? qual a profundida isso pode alcançar?
desculpe mandar minhas dores de cabeça, tenho minhas dores de cabeça em certos momentos durante a aula querendo descobrir o verbo-chave, a ação específica, mas em momento como Shakespeare, é tenho pensamento que é muito difícil criar Shakespeare sem o texto, aquele texto me dá liberdade para encontrar as ações, está lá - lembro de um grande amigo, mestre e ator da velha geração comentando sobre um certo dia em que encenava o mercador de veneza em paris e fazia Shylock e num instante ele parou e pensou: "o que estou fazendo? para quê tantas coisas? é um texto e esse texto só é necessário que ele seja dito, está tudo aí" ele teve um "crise" e só voltou a fazer teatro agora; eu posso falar que brinquei como Iago, mas não que fiz Shakespeare, é uma conversa enorme e dificílima, acredito que tenho muitas coisas a aprender, principalmente contigo, eu adoro a experiência de trabalhar com encenadores diferentes, mas como podemos encontrar uma mistura, onde eu possa utilizar os teus elementos sem deixar de lado os meus elementos, que estou criando agora como encenador, trabalho que estou engatinhando ainda mas que quero começar a criar meu próprio estilo de direção, não só o que aprendi com "mestres" anteriores...
desde já
obrigado
Paulo Maeda
Um / O começo
A necessidade de escrever sobre as novas velhas experiências em busca de dados mais palpáveis no mundo atual globalizado. O que escrevo aqui poderia ser como uma grande privada onde jogamos todas as porcarias fora mas também penso como um baú onde podemos guardar todas nossas quinquilharias.
Percebam desde já que não respeito regras gramaticais e também não pretendo ganhar o prêmio de melhor escritor teórico do ano, por vezes notarão falas muito próximas ou termos repetidos, acostumem-se.
Falo para uma platéia invisível pois não sei se isso seria de interesse para alguém além da minha própria pessoa, a idéia inicial é que fossem criados dois diários de bordo: o da atriz e a versão do diretor, sem cortes; mas prefiro tudo misturado, uma grande aglutinação ou justaposição de idéias.
Existe uma disciplina no curso da Unesp de Educação Artística - Habilitação em Artes Cênicas chamada Encenação, ministrada pelo professor José Manuel onde foram divididas cinco etapas (didáticas): clássico, drama, épico, poético ou absurdo e criação coletiva.
Escolhi a quarta etapa com o texto de Sarah Kane: Psicose 4h48 (redundante).
Não me apresentei: Paulo Maeda e trabalho com uma única atriz: Nayra Lobo
Eu só pretendia fazer essa introdução...básica...ruim...
enfim
evoé
e
merda
lp
Percebam desde já que não respeito regras gramaticais e também não pretendo ganhar o prêmio de melhor escritor teórico do ano, por vezes notarão falas muito próximas ou termos repetidos, acostumem-se.
Falo para uma platéia invisível pois não sei se isso seria de interesse para alguém além da minha própria pessoa, a idéia inicial é que fossem criados dois diários de bordo: o da atriz e a versão do diretor, sem cortes; mas prefiro tudo misturado, uma grande aglutinação ou justaposição de idéias.
Existe uma disciplina no curso da Unesp de Educação Artística - Habilitação em Artes Cênicas chamada Encenação, ministrada pelo professor José Manuel onde foram divididas cinco etapas (didáticas): clássico, drama, épico, poético ou absurdo e criação coletiva.
Escolhi a quarta etapa com o texto de Sarah Kane: Psicose 4h48 (redundante).
Não me apresentei: Paulo Maeda e trabalho com uma única atriz: Nayra Lobo
Eu só pretendia fazer essa introdução...básica...ruim...
enfim
evoé
e
merda
lp
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